A esquina da escada do céu

14/10/2017

Assim como o que é fútil é fugaz, há certos sorrisos que vem, ficam e não vão jamais... E as ruas paralisam, o sol derrete as nuvens e por mais que o mundo gire esse estado é permanente: a tal sensação de que você conhece Deus e que Deus te conhece pelo nome.
Assim como o não cessa sonhos, o talvez traz a fé de em um sim provar que a felicidade existe e persiste em ficar. E a música toca mais alto trazendo aquele sentimento de que você pode também cantar os versos que Vinicius poetizou para a sua amada. E canta com ritmo em compasso com a melodia que só o silêncio pode sentir. Silencio para apreciar o que sinto.
Assim como a palavra corta como faca esperanças, certos olhares dizem mais do que mil frases e provocam nossas necessidades de eternidade em finitas conversas de cenas em dois atos: beijo e vôo da alma.
Pode parecer estranho toda essa suposição de se conhecer há tempos ainda que se tenha cumprimentado pela primeira vez agora, mas faz sentido recorrer às teorias de vidas passadas para entender essa ligação de se reencontrar assim, na esquina de uma escada que traz o céu para a terra e o centro de Gaia para a superfície.
Assim como o sono não vem, a noite vai com suas estrelas para se esconder na claridade do astro de leão. E nos pensamentos livres se prendem aquilo que ficou do dia, como os sorrisos dados e conquistados e toda conversa fiada de quem só buscou puxar assunto para sem argumentos ter um pouco de atenção.
E trocamos longos olhares indecifráveis até que percebidos um pelo o outro, fingimos estar olhando para a parede e nos desviamos. Evitamos trocar frases longas demais pelo simples temor de entregar mais do que se deve ou rebaixar o que indeterminadamente se sente à uma parva coleção de frases feitas que podem ser copiadas por romances que não merecem. Mas não temos romance, não temos sequer suposição de encontro, temos apenas uma pitada de amor impossível que entorpece a alma e preenche com louvor a história.
Assim como o mistério encanta, há certos enigmas que causam desesperança pela nítida, mas recusável percepção de que só insistência não bastará! Haverá congruência de momentos? Há outro? Não há outros caminhos visíveis. Já estou voando no sorriso que me causa desapego de todas as outras coisas. Digo não saber para manter o jogo mental. Atrevo a utilização de todas as entrelinhas de meu repertório para evitar que educadamente peça licença para sair. Não revelo, mas peço que fique...
O vento passeia entre os carros, mas clama por acariciar os corpos que ainda não se encontraram em devaneios corriqueiros de que almas podem se completar ainda que não esteja consumado o destino de que unidas podem atravessar toda essa dor de nascer, prosseguir e partir sem concluir jamais...
E assim como o vento muda o rumo das folhas prometo mudar os seus caminhos para intervir assim no meu destino.
Depois de se ver no céu, é difícil querer subir escada para outro lugar... Marco a espera na esquina daquela escada de encontros e reencontros em que toda essa confusão é dizimada sem desperdício de tempo, sonhos e malabarismo em comparações.

A esquina da escada do céu