Celebrar a vida para fabricar saudades

02/11/2017

Hoje é dia de finados. Dia de lembrar os mortos para afirmar a vida. Na verdade, é apenas uma data que o calendário separa para que recordemos daqueles que nos deixaram. É clichê, mas é oportuno: uma pessoa só morre quando ninguém mais se lembra dela. Assim, muitas pessoas permanecerão por muito tempo aqui e possivelmente atravessando gerações.
Sinto saudades de tantas pessoas. Todos nós sentimos saudades, cada um na sua dor e no seu jeito próprio de encarar a despedida e relembrar aquele rosto, aquela voz, aqueles momentos tão únicos, geralmente muito simples, mas que costuram a nossa biografia. Quando uma biografia escreve a outra biografia não dá para ser indiferente.
Nessas horas de pensar em quem já não empresta mais o sorriso nesse tempo-espaço, é que me apego ao trecho de uma canção que diz que só tem saudade quem um dia amou!
Tenho saudade de tanta gente e meu peito se reconhece no amor que tive e tenho. Pois, não é porque uma pessoa se foi que o amor se encerra. E Renato Russo tem razão: é preciso amar as pessoas como se não tivesse amanhã. Então, recordar e reconhecer o amor por quem se foi, mas também fabricar agora as tais saudades futuras com quem ainda está aqui a nos emprestar sorrisos.
Como se fabrica saudades futuras? Saudades futuras são produzidas na convivência diária, no cotidiano mesmo, nesses momentos de muita simplicidade que geram histórias que se pudéssemos provocaríamos repetição. Saudades futuras nascem sem longos planejamentos e só ocorrem se cada momento é realmente compartilhado. Saudades futuras são fabricadas nas surpresas, nas festas e até no trabalho. E é importante que se saiba: a saudade advém das pessoas, do outro. Por seus atos, pelos instantes que dividem com a gente ou pelo fato único de estarem ali conosco testemunhando e construindo a nossa história. Fabricar saudade nunca é um trabalho solitário. É um compromisso de toda relação.
Sentir saudade, portanto, é da nossa natureza e é da nossa natureza fabricar saudade ainda que em determinados momentos futuros ele possa soar como sofrimento. Terei e tenho saudades de muitas pessoas. Admitir isso é a mais humana das coisas.

Finados

Ainda que a tradição venha diminuindo ano após ano, os Cemitérios de Nova Friburgo devem receber grande quantidade de visitantes neste Dia de Finados. Lembrando que cinco dos 21 cemitérios do município são de responsabilidade administrativa da Prefeitura. Os demais são concedidos. Mais de 5 mil pessoas devem visitar os túmulos, a maioria no maior cemitério da cidade – São João Batista.

Preocupações

A orientação aos visitantes é que evitem colocar água em jarras e outros vasilhames nas sepulturas, por medida de prevenção à dengue, e também não deixem pertences sobre as sepulturas, como bolsas, celulares e outros, a fim de evitar furtos.

Flores

Expectativa sempre grande para a venda de flores no Dia de Finados que promete ser intensa em Nova Friburgo que é o maior produtor do Estado. Além das vendas já consumadas para outros municípios, especialmente a capital, a venda perto dos cemitérios também se configura como uma oportunidade para os produtores.

Estradas

Mais um feriadão. Operações especiais nas estradas que cortam o Estado do Rio de Janeiro. Apesar da previsão de tempo nublado e chuva, a expectativa é que muitos viajem rumo às cidades praianas. Esquemas especiais na RJ-116. A Polícia Rodoviária Estadual também estará nos locais de maior congestionamento e de maior registro de ocorrências.

Rodoviárias

Esquema especial de ônibus extras, especialmente na Rodoviária Sul. A empresa que opera as linhas Rio das Ostras, Rio de Janeiro e Niterói, está comprometida a colocar veículos além dos já previstos como extras dependendo da demanda. Na Novo Rio, expectativa de ônibus extras para as cidades mais visitadas, entre as quais, Nova Friburgo.



Hoje é dia
de Finados

O dia
Em 2 de novembro de 2003, a Igreja Episcopal nos EUA consagrou o seu primeiro bispo homossexual. Gene Robinson, que era divorciado e tinha 2 filhos, vivia a 13 anos com um companheiro.

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Palavreando
Sentir falta de alguém não é algo que passa. O tempo apenas aquieta essa necessidade. E é nos momentos de silêncio que mais sentimos.

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